Ambição Saudita: Arábia Saudita Visa Ser uma Potência Global em Inteligência Artificial

A Arábia Saudita está promovendo uma ambiciosa transição econômica, buscando transformar sua imensa riqueza em petróleo em poder tecnológico no campo da Inteligência Artificial (IA). Liderado pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, o reino pretende dominar a infraestrutura global de IA, conforme detalhado em uma reportagem do The New York Times.

A Ambição da Humain e a Vantagem da Energia

O projeto é centralizado na Humain, uma empresa estatal criada pelo príncipe e apoiada pelo fundo soberano saudita, que administra cerca de US$ 1 trilhão. O CEO da Humain, Tareq Amin, estabeleceu uma meta ousada: processar 6% de toda a carga de trabalho de IA do mundo nos próximos anos, partindo de menos de 1% que o país detém atualmente.

“O objetivo é criar uma entidade nacional focada em toda a cadeia de valor da IA.” — Tareq Amin, CEO da Humain.

A estratégia saudita é alavancada pela energia barata, que pode ser até 40% mais econômica que a oferecida nos Estados Unidos. A Humain já firmou acordos importantes, incluindo um investimento de US$ 5 bilhões da Amazon em infraestrutura de IA e a compra de chips de gigantes como Nvidia, AMD e Qualcomm.

Estratégia para o Domínio Global da IA

O plano da Arábia Saudita para centralizar o poder de processamento global de IA inclui:

  • Criação de Entidade Estatal: A Humain centraliza o desenvolvimento de data centers, chatbots e serviços de IA.
  • Infraestrutura Gigante: Construção de megacentros de dados nas costas do Mar Vermelho (pela DataVolt) e do Golfo Pérsico, com uma capacidade energética projetada de 6,6 gigawatts até 2034.
  • Incentivos a Estrangeiros: Criação de “embaixadas de dados”, zonas que permitirão às empresas estrangeiras operar sob as leis de seus países de origem.

O Desafio Geopolítico: EUA vs China

A ambição saudita esbarra em questões geopolíticas. O país depende de chips de IA fabricados nos EUA, e o governo árabe precisa equilibrar seu relacionamento entre Washington e Pequim.

Em maio de 2025, o governo americano autorizou a venda de 18 mil chips da Nvidia para a Arábia Saudita. No entanto, a liberação final tem sido dificultada pela proximidade do reino com a China, onde os sauditas investem em empresas como a DeepSeek e utilizam data centers da estatal petrolífera Aramco.

Apesar dos obstáculos políticos e tecnológicos, a ambição saudita é levada a sério. “É fácil subestimar o nível de ambição dos sauditas, mas eles podem alcançar mais do que muitos críticos imaginam,” avalia Vivek Chilukuri, pesquisador do Centro para uma Nova Segurança Americana.