O astrofotógrafo espanhol Dan Zafra, fundador da comunidade Capture the Atlas, conseguiu um registro inédito de um dos mais raros fenômenos atmosféricos: os sprites vermelhos, ou “duendes vermelhos”, alinhados com a Via Láctea Austral. A captura ocorreu na noite de 11 de outubro nos Clay Cliffs, na Ilha Sul da Nova Zelândia.
Zafra estava com seus colegas quando notou fracos clarões vindos de uma tempestade distante sobre os Alpes do Sul. Inicialmente confundidos com relâmpagos comuns, as imagens revelaram colunas de luz vermelha que se estendiam acima das nuvens – os misteriosos sprites.
O Fenômeno Raro:
Os “duendes vermelhos” são Eventos Luminosos Transitórios (TLEs), fenômenos elétricos raríssimos que ocorrem na mesosfera da Terra, até 80 km acima das tempestades convencionais. Eles duram apenas milissegundos e são invisíveis a olho nu, sendo extremamente difíceis de testemunhar. Sua cor vermelha intensa é resultado da descarga elétrica que encontra o nitrogênio na atmosfera. O fenômeno só foi registrado pela primeira vez em 1989.
A Combinação Perfeita:
A imagem de Zafra se tornou excepcional pela rara coincidência de elementos: “Os sprites estavam acontecendo bem ao lado do núcleo galáctico em formação,” relatou o fotógrafo. Além da Via Láctea e dos sprites, a cena também incluiu resquícios da aurora austral e o Cometa SWAN (visível ao ampliar a imagem).
As fotografias foram tiradas com uma câmera Sony A7III e uma lente de 24 mm f/1.4. O resultado final, que exigiu apenas ajustes mínimos de contraste e ruído, mostra a Via Láctea se erguendo no horizonte enquanto os tentáculos de luz vermelha dos sprites dançam acima da tempestade. Zafra também criou um timelapse que mostra o piscar em tempo real desses breves momentos de energia.
Estudo da NASA:
A raridade do fenômeno levou a NASA a criar o projeto de ciência cidadã “Spritacular”, que coleta imagens de TLEs enviadas pelo público e por astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) para ajudar a comunidade científica a investigar o fenômeno. Astronautas como Matthew Dominick, Andreas Mogensen, Nichole Ayers e Don Pettit já registraram sprites a partir do laboratório orbital, provando que, mesmo após mais de três décadas do primeiro registro, esses “duendes vermelhos” continuam entre os fenômenos mais enigmáticos do nosso planeta.