A Amazon anunciou, na quarta-feira (22), o lançamento do Blue Jay, um novo sistema robótico projetado para trabalhar em colaboração com funcionários humanos em seus centros de distribuição. A empresa também apresentou o Project Eluna, uma ferramenta de inteligência artificial (IA) focada na gestão de operações.
O anúncio ocorre em um momento de intenso debate sobre o impacto da automação na Amazon, após o jornal The New York Times divulgar documentos internos que indicam planos da companhia de automatizar tarefas a ponto de poder substituir mais de 600 mil empregos até 2033.
O Robô Blue Jay e o Project Eluna
O Blue Jay é descrito pela Amazon como um sistema capaz de coordenar múltiplos braços robóticos no mesmo espaço para executar tarefas como separar, armazenar e consolidar itens simultaneamente. O robô já está em fase de testes em um centro na Carolina do Sul e é capaz de lidar com cerca de 75% dos tipos de produtos. O desenvolvimento foi acelerado para pouco mais de um ano, graças ao uso de modelagem digital (digital twins) e técnicas de IA, visando tornar o trabalho mais seguro e reduzir o esforço físico dos operadores.
Paralelamente, o Project Eluna é um assistente de IA para gerentes de armazéns, que analisa dados em tempo real e sugere ações para otimizar a logística, como realocar funcionários ou ajustar o ritmo de processamento. O sistema busca reduzir a “carga cognitiva” dos operadores, minimizando o número de painéis que precisam monitorar. O teste inicial do Eluna ocorrerá em um centro no Tennessee durante o pico de vendas do final do ano.
O Contraste entre Colaboração e Automação Massiva
Embora a Amazon promova o Blue Jay e o Eluna como tecnologias de apoio e colaboração, a iniciativa ocorre sob escrutínio. Os documentos internos revelados pelo The New York Times sugerem que a empresa planeja automatizar até 75% de suas operações nos próximos anos para aumentar a eficiência, cortar custos e reduzir a necessidade de novas contratações.
Em resposta, executivos da Amazon defenderam a empresa, citando a criação de empregos na última década e programas de capacitação para funcionários que trabalham com robôs. O diretor de tecnologia da Amazon Robotics, Tye Brady, afirmou que o foco está no “futuro do trabalho que estamos construindo” e não apenas nos robôs.
No entanto, a implementação de robôs como o Blue Jay, que se junta a outras inovações recentes como robôs com sensores táteis e IA generativa para logística, sinaliza uma mudança estrutural. O discurso de “colaboração entre humanos e máquinas” contrasta com os planos de ter menos trabalhadores em tarefas operacionais e mais dedicados à manutenção das novas máquinas, indicando uma transformação significativa no papel do trabalho humano dentro da companhia.