A empresa americana Zeno Power, em parceria com a NASA, está inovando no setor de energia espacial ao planejar utilizar resíduos nucleares para abastecer suas baterias espaciais. O objetivo é fornecer a energia necessária para rovers, módulos de pouso e infraestrutura em futuras missões, especialmente no contexto do Programa Artemis e da iniciativa de exploração da Lua e de Marte.
A fonte de energia será o Amerício-241 (Am-241), um isótopo de longa duração que, apesar de ser tradicionalmente tratado como resíduo, tem se mostrado eficiente para tecnologias espaciais.
Baterias para a Exploração Lunar
Estas baterias, conhecidas como Sistemas de Energia de Radioisótopos (RPS), são cruciais para operações em locais da Lua onde a luz solar é escassa, como as áreas sombreadas. O sucesso das RPS é visto como fundamental para o avanço da NASA em suas futuras missões.
Acordo Estratégico de Fornecimento
Para garantir a cadeia de suprimentos do combustível, a Zeno firmou um acordo com a multinacional Orano, uma das principais operadoras na gestão e produção de energia nuclear.
Através de um investimento multimilionário, a Zeno assegurou acesso prioritário anual a grandes quantidades de Am-241 provenientes do centro de reciclagem de La Hague da Orano, na Normandia, França.
O CEO e cofundador da Zeno Power, Tyler Bernstein, destacou que a parceria com a Orano é um “passo fundamental” para o avanço da estratégia de utilizar múltiplos tipos de combustível pela Zeno.
Amerício-241 como Alternativa Promissora
Historicamente, as baterias nucleares espaciais dependiam do Plutônio-238 (Pu-238). No entanto, a oferta global limitada do Pu-238 e a crescente demanda por energia no espaço impulsionaram a busca por combustíveis alternativos.
A Zeno vê o Am-241 como um complemento importante ao Pu-238. O Amerício-241 é atraente devido à sua longa meia-vida de 430 anos, o que garante que os sistemas de energia possam durar por décadas. O isótopo é formado naturalmente a partir da decomposição de outros elementos em resíduos nucleares, e a Orano planeja extraí-lo do combustível usado em sua unidade.
Além de rovers da NASA, a Zeno pretende expandir o uso do combustível nuclear para outras aplicações. A empresa planeja combinar o Amerício-241 para missões espaciais com o Estrôncio-90 para implantações marítimas e terrestres, visando desbloquear operações em ambientes extremos, “do mar profundo ao espaço”.