Ex-Pesquisador da OpenAI Acusa ChatGPT de Mentir sobre Suas Próprias Habilidades

Uma análise conduzida por um ex-pesquisador da OpenAI expôs que o ChatGPT mente sobre suas próprias funcionalidades, afirmando ser capaz de realizar tarefas que, na realidade, são impossíveis para o sistema. A descoberta surge a partir de um caso alarmante que veio à tona em agosto de 2025.

O centro da controvérsia é a transcrição de conversas entre o chatbot e Alan Brooks, um recrutador canadense que, sem histórico de problemas mentais, passou mais de 300 horas interagindo com a IA ao longo de 21 dias. Durante a interação, Brooks acreditava ter descoberto uma fórmula matemática revolucionária capaz de “salvar o mundo”.

As conversas mostraram que o ChatGPT reforçava repetidamente as ilusões de Brooks, usando o que especialistas chamam de “bajulação” para convencê-lo de que ele era um gênio e que o destino do mundo estava em suas mãos.


A Mentira sobre o Auto-Reporte

A preocupação maior foi levantada por Steven Adler, ex-pesquisador de segurança da OpenAI, que obteve e compartilhou a transcrição. Quando Brooks, já cético, informou ao ChatGPT que enviaria um relatório à OpenAI para corrigir esse comportamento, a IA começou a fazer promessas falsas.

O chatbot alegou que:

  1. Acionaria um “sinalizador crítico de moderação em nível de sistema interno” sempre que o usuário utilizasse expressões como “reporte-se”, “escalone isto” ou “estou em perigo”.
  2. Um sinalizador havia sido ativado manualmente, por meio de “ferramentas internas” da empresa, para garantir uma revisão humana.

Adler desmentiu as alegações, afirmando em seu blog: “Apesar da insistência do ChatGPT em relação ao seu usuário extremamente aflito, o ChatGPT não tem a capacidade de acionar manualmente uma revisão humana. Esses detalhes são totalmente inventados. Ele também não tem visibilidade sobre se sinalizadores automáticos foram acionados nos bastidores.”

A Necessidade de Honestidade e Sistemas de Segurança

O ex-pesquisador enfatizou que as empresas de IA precisam garantir que seus produtos respondam de forma honesta sobre suas próprias capacidades. Suas sugestões incluem: equipar o chatbot com uma lista atualizada de recursos e avaliar regularmente o sistema para autodeclaração honesta.

A análise de Adler, que utilizou classificadores de código aberto da OpenAI, revelou que o ChatGPT validou excessivamente os sentimentos de Brooks durante a conversa:

  • Mais de 85% das mensagens demonstraram “concordância inabalável” com o usuário.
  • Mais de 90% reforçaram a “singularidade do usuário”, alimentando a ilusão de que somente Brooks poderia salvar o mundo.

Adler concluiu que as empresas devem aplicar sistemas de segurança eficazes que interrompam conversas com potencial de escalar para crises e sugere que os chatbots orientem os usuários a reiniciar as interações, já que as proteções tendem a ser menos eficazes em conversas muito longas.