O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou a pressão política sobre a proposta de fusão entre a Netflix e a Warner Bros. Discovery, um negócio avaliado entre US$ 72 bilhões e US$ 82,7 bilhões. O republicano sinalizou que o acordo “pode ser um problema“, alegando que a Netflix ganharia uma participação “muito grande” no mercado de streaming.
Trump deixou claro que ele e a Casa Branca acompanharão de perto a revisão regulatória do acordo. Essa intervenção adiciona um peso político significativo a um processo que, geralmente, é conduzido por reguladores técnicos, e já estava sob intenso escrutínio.
Preocupação com Monopólio e Envolvimento Pessoal
O presidente afirmou que a fatia da Netflix no mercado “aumentaria muito” com a absorção da Warner. Ele chegou a declarar que participará pessoalmente da decisão, reforçando a intenção da Casa Branca de controlar o assunto.
Apesar da ameaça, Trump fez questão de elogiar a empresa e seu co-CEO, Ted Sarandos, a quem chamou de “um grande homem” que fez “um dos maiores trabalhos da história do cinema”. Sarandos esteve na Casa Branca para discutir a intenção de compra antes do anúncio oficial e, segundo a Bloomberg, saiu do encontro sem esperar resistência imediata.
Cenário de Incômodo Regulatório e Pressões Externas
Mesmo antes da intervenção presidencial, a fusão já enfrentava ceticismo de órgãos de concorrência, que analisam o impacto na competição, nas janelas de exibição de conteúdo e na estrutura de emprego em Hollywood. Especialistas alertaram que o Departamento de Justiça poderia considerar a operação ilegal se a concentração no streaming ultrapassar limites aceitáveis.
A posição de Trump intensifica o escrutínio. Em vez de uma análise puramente técnica, o processo agora corre o risco de refletir as prioridades políticas da Casa Branca.
Rivais, como a Paramount Skydance, e grupos como produtores e sindicatos, já faziam lobby para que o acordo fosse barrado, citando riscos antitruste, perda de empregos e redução da diversidade de conteúdo.
A fusão tem um cronograma longo, de 12 a 18 meses para o fechamento, e prevê uma taxa de rescisão de US$ 5 bilhões caso seja bloqueada pelos reguladores. A entrada de Donald Trump no debate torna o caminho do acordo ainda mais imprevisível.